Uma ofensiva coordenada pela Polícia Civil do Paraná mobilizou equipes em diferentes regiões do país nesta terça-feira (26) e resultou na prisão de 33 pessoas investigadas por integrar uma organização criminosa que tentava ampliar atuação no território paranaense. A ação marcou a estreia operacional do novo Departamento Estadual de Repressão ao Crime Organizado (DRACO), criado recentemente pela nova Lei Orgânica da corporação.

As diligências ocorreram simultaneamente em 16 cidades distribuídas entre Paraná, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Pará. Ao longo da operação, os policiais cumpriram dezenas de mandados judiciais e apreenderam armas, munições e entorpecentes. Um dos investigados também acabou preso em flagrante.
No Paraná, os alvos estavam em municípios da Região Metropolitana de Curitiba, Litoral e Oeste do Estado, incluindo Curitiba, Colombo, São José dos Pinhais, Fazenda Rio Grande, Paranaguá, Matinhos, Pontal do Paraná, Foz do Iguaçu e Paraíso do Norte. Também houve ações em cidades catarinenses como Florianópolis, Navegantes, Itajaí e Balneário Camboriú, além de operações no Rio de Janeiro, Vila Velha (ES) e Belém (PA).
Segundo a investigação, o grupo criminoso vinha estruturando uma base de atuação no Paraná, com foco principalmente no tráfico de drogas e no comércio ilegal de armas e munições. Informações de inteligência apontaram ainda interesse estratégico da facção no Litoral paranaense.
As apurações começaram após uma tentativa de assalto a uma agência bancária em Bocaiuva do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, registrada em julho de 2025. Na ocasião, dez suspeitos foram presos pelas forças de segurança estaduais. Com eles, foram encontrados armamentos de grosso calibre, explosivos, drogas, dinheiro e equipamentos utilizados na ação criminosa.
Meses depois, em outubro, a Polícia Civil localizou em Luiz Alves, em Santa Catarina, o homem apontado como responsável pelo planejamento do ataque. Conforme a investigação, ele estava foragido do sistema prisional e teria coordenado o crime mesmo enquanto permanecia detido anteriormente, além de fornecer armas e explosivos para a quadrilha.
A partir da análise do material reunido ao longo das diligências, os investigadores identificaram uma estrutura organizada e nacionalizada do grupo criminoso. De acordo com o delegado Rodrigo Brown, o objetivo do roubo ao banco era arrecadar recursos para financiar a instalação definitiva da facção no Paraná.
Os policiais também identificaram integrantes com funções específicas dentro da organização, incluindo atuação em setores de comando, gestão financeira e tráfico de drogas. Entre os investigados estão dois advogados suspeitos de atuar como intermediários entre lideranças presas e criminosos em liberdade, repassando ordens e informações.
Outro alvo, que segue foragido, é investigado por envolvimento em homicídios registrados em Curitiba e Região Metropolitana. Conforme a PCPR, ele teria papel estratégico na cobrança do cumprimento de ordens da facção e na articulação de confrontos contra forças de segurança.
Para ampliar o alcance da operação, a Polícia Civil utilizou helicópteros e cães farejadores durante as buscas. O cumprimento dos mandados contou ainda com apoio integrado de setores de inteligência e equipes especializadas.
Em nota, o delegado Rodrigo Brown afirmou que a criação do DRACO reforça a estratégia do Paraná no enfrentamento ao crime organizado. Segundo ele, a prioridade é impedir que organizações criminosas ampliem espaço no Estado e reproduzam episódios de violência registrados em outras regiões do país.
