O que vai acontecer com as passagens aéreas no Brasil após aumento do querosene

Foto: g1.globo.com

Por BBC — Na quarta-feira, primeiro de abril, a Petrobras anunciou aumento de 54,6% no preço do querosene de aviação (QAV), o que deve pressionar novas altas nas passagens aéreas no Brasil; o governo já acenou que haverá algum tipo de pacote de ajuda ao setor.

O aumento elevou a alta acumulada do QAV desde o início da guerra, em fevereiro, para 64%.

Embora cerca de 90% do QAV usado no Brasil seja produzido no país, seu preço segue o mercado internacional. De acordo com Oliveira, em tempos normais o combustível de aviação representa cerca de 40% do custo total das companhias aéreas brasileiras, enquanto a média mundial é de 27%.

O conflito aumentou os riscos em torno do transporte do petróleo e se refletiu na alta do Brent: um dia antes da invasão norte-americana o barril fechou em US$ 71,32; em março o Brent ultrapassou US$ 115 por barril; na quarta-feira o preço girava em torno de US$ 99 e voltou a subir após novo pronunciamento de Trump.

Os impactos da crise são globais, mas para o passageiro brasileiro a combinação da alta do QAV, custos normalmente já elevados, segurança jurídica fragilizada e um setor abatido agrava o cenário. Mesmo antes do anúncio da Petrobras, as passagens já vinham subindo: a prévia da inflação de março (IPCA-15) mostrou aumento de 5,94%.

Se o repasse do QAV fosse integral, muitos voos teriam aumentos significativos. Tomando o maior avião comercial do mundo, o A380, como exemplo, o custo adicional poderia ser de cerca de R$ 1,8 mil por passageiro, considerando ocupação média de 80%.

O SAF faz parte da Lei do Combustível do Futuro, aprovada em 2024, que regula os passos da transição energética no Brasil. A lei define que, a partir de 2027, as companhias aéreas precisam usar uma pequena porcentagem de SAF. Empresas como a LATAM já começaram a usar o biocombustível em determinadas operações.

Historicamente, o SAF custa de três a cinco vezes mais que o querosene comum. Com o barril de Brent subindo por causa da guerra, essa diferença econômica diminui.

Em novembro, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu os processos contra companhias aéreas que tratem de atrasos, alterações ou cancelamentos de voos decorrentes de “fortuito externo” ou força maior, conforme as definições do Código Brasileiro de Aeronáutica (CBA).

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